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PORTUGAL E A CRISE DO SéCULO

Susana Peralta   

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Excerto

CAPÍTULO 1


O tecido social lasso

onde caiu a crise

Olhando com mais cuidado, havia várias nuvens negras a ensombrar o aparente ambiente otimista do final de 2019. A economia não se pode resumir a três números em formato percentual (um para o crescimento do PIB, outro para o défice, outro para a taxa de desemprego). É que a economia é feita de pessoas, em primeiro lugar. Estas pessoas agrupam-se em diferentes instituições. Umas são privadas, outras públicas, outras, ainda, associativas. Talvez as instituições humanas mais conhecidas sejam as empresas.

Quando abandonamos os três números percentuais e olhamos em pormenor para a vida destas instituições mais pequenas e para as pessoas que as formam, reparamos que vivem de formas muito diferentes e com recursos muito heterogéneos. Antes de a crise nos bater à porta, Portugal era assim. A parte do rendimento que entra nos bolsos dos mais ricos do país — mais precisamente, os 10% mais ricos — era quase nove vezes superior àquela que cabia aos 10% mais pobres. Portanto, o mesmo número de pessoas tinha nove vezes mai

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