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PEQUENOS HáBITOS

BJ Fogg  

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Excerto

INTRODUÇÃO

A Mudança Pode Ser Fácil (e Divertida)

Pequeno é poderoso.

Pelo menos no que diz respeito à mudança.

Durante os últimos vinte anos, constatei que quase todas as pessoas querem concretizar algum tipo de mudança: adoptar uma alimentação mais saudável, perder peso, praticar mais exercício físico, reduzir o stress, dormir melhor. Queremos ser melhores pais e parceiros. Queremos ser mais produtivos e criativos. Todavia, os alarmantes níveis de obesidade, a falta de sono e o stress noticiados pelos meios de comunicação — e vistos no meu laboratório de investigação em Stanford — dizem-me que existe um doloroso abismo entre o que as pessoas querem fazer e o que fazem na realidade. A culpa do desfasamento entre querer e fazer tem sido atribuída a muitos factores — mas as pessoas culpam-se quase sempre a si mesmas. Interiorizam a mensagem cultural de «A culpa é tua! Precisas de fazer mais exercício, mas não fazes. Devias ter vergonha!».

Eu estou aqui para lhe dizer que a culpa não é sua.

E que criar mudança positiva não é tão difícil como pensa.

Durante demasiados anos, mitos, equívocos e conselhos bem-intencionados, mas pouco científicos, predispuseram-no a falhar. Se tentou mudar no passado e não viu resultados, poderá ter chegado à conclusão de que a mudança é difícil ou que não consegue ter êxito porque lhe falta motivação. Nenhuma destas hipóteses está correcta. O problema reside na própria abordagem, não em si. Pense no assunto da seguinte forma: se tentasse montar uma cómoda com instruções defeituosas e sem todas as peças, ficaria frustrado. Contudo, talvez não se culpasse por isso, pois não? Em vez disso, atribuiria a culpa ao fabricante. Quando há tentativas fracassadas de mudança, quase nunca culpamos o «fabricante». Culpamo-nos a nós mesmos.

Se os resultados não corresponderem às nossas expectativas, o crítico que existe dentro de nós descobre uma brecha e entra em cena. Muitas pessoas acreditam que se não conseguem ser mais produtivas, emagrecer ou praticar exercício físico com regularidade, devem ter algum problema. Se fossem pessoas melhores, não teriam falhado. Se tivessem seguido aquele programa à risca ou cumprido as promessas que fizeram, teriam conseguido. Só temos de nos organizar, subir a pulso e fazer melhor. Certo?

Não. Lamento. Não está certo.

Nós não somos o problema.

O problema é a nossa abordagem à mudança. É uma falha de design — não uma falha pessoal.

Estabelecer hábitos e criar mudança positiva pode ser fácil — se tiver a abordagem certa. Um sistema baseado no funcionamento real da psicologia humana. Um processo que facilita a mudança. Ferramentas que não se apoiam em conjecturas ou princípios defeituosos.

O pensamento popular sobre a formação de hábitos e mudança contribui para a nossa tendência para estabelecermos expectativas irrealistas. Sabemos que os hábitos são importantes; só precisamos de mais bons hábitos e menos maus hábitos. No entanto, aqui estamos nós, ainda a lutar para mudar. Ainda a pensar que a culpa é nossa. Toda a minha pesquisa e experiência prática me dizem que esta mentalidade é errada. Para criar hábitos e mudança de sucesso e alterar os seus comportamentos, deve fazer três coisas.

+ Parar de se julgar.

+ Definir as suas aspirações e dividi-las em pequenos comportamentos.

+ Aceitar os erros como descobertas e usá-los para progredir.

Talvez isto não pareça intuitivo. Eu sei que não é natural para todos. A autocrítica é um hábito muito enraizado e o cérebro de algumas pessoas tem tendência para a culpabilização — é como um trenó na neve, a deslizar pela encosta num caminho muito usado.

Se seguir o processo dos Pequenos Hábitos, começará a percorrer um caminho diferente e a neve depressa tapará as estrias de incerteza. Em breve, o novo caminho será o caminho-padrão. Isto acontece depressa, porque com os Pequenos Hábitos a mudança é mais fácil se se sentir bem do que se se sentir mal. O processo não requer que dependa de força de vontade nem que estabeleça medidas de responsabilidade ou prometa recompensas a si mesmo. Não existe um número mágico de dias que tem para fazer alguma coisa. Essas abordagens não se baseiam na forma como os hábitos funcionam na realidade e, consequentemente, não são métodos seguros para a mudança. E muitas vezes fazem-nos sentir mal.

Este livro diz adeus a toda a angústia existencial da mudança e — mais importante ainda — mostra-lhe como ultrapassar de uma forma fácil e alegre o abismo (seja qual for o seu tamanho) entre quem é agora e quem quer ser. Pequenos Hábitos será o seu guia para interromper a antiga abordagem e substituí-la por uma estrutura de mudança inteiramente nova.

O sistema que vou partilhar consigo não é conjectura. O processo foi testado na prática em mais de 40 mil pessoas durante anos de pesquisa e aperfeiçoamento. Ao orientar pessoalmente todas essas pessoas e reunir dados semana após semana, sei que o método dos Pequenos Hábitos funciona. Substitui equívocos por princípios comprovados e troca receitas por processos. Vou ensiná-lo a usar o que o co-fundador do Instagram, que foi meu aluno, aprendeu acerca do comportamento humano para criar uma aplicação de sucesso e a implementar os mesmos métodos para criar mudanças de sucesso na sua própria vida — e nas vidas de outras pessoas. E o melhor de tudo é que vai divertir-se. Quando remover qualquer sugestão de crítica, o seu comportamento torna-se uma experiência científica. A consciência de exploração e descoberta é um pré-requisito para o sucesso, não apenas um bónus adicional.

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Bem-vindo ao Design Comportamental! Este é o meu abrangente sistema para pensar com clareza no comportamento humano e para c

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