Do autor de A forma das ruínas ou O barulho das coisas ao cair, esta é uma história apaixonante de traições e segredos pessoais e colectivos, no rescaldo da mais devastadora das guerras.
Quando o jornalista Gabriel Santoro publicou o seu primeiro livro, não imaginava que a crítica mais implacável fosse ser escrita pelo próprio pai.
O tema parecia inofensivo: a vida de uma amiga da família, judia chegada à Colômbia em fuga da Alemanha nazi, pouco tempo antes da eclosão da Segunda Guerra Mundial. Por que razão terá o seu livro sobre Sara Guterman ferido o pai a ponto de o levar a humilhá-lo publicamente? Que segredo imprevisto esconderão aquelas páginas? O que alimentará a raiva e a alienação do patriarca?
Impelido pela morte misteriosa do pai num acidente de automóvel, Santoro decide indagar a verdade, antes que o passado lhe escape por completo. A investigação irá destapar impensáveis traições e segredos da história familiar. Na dolorosa reconstrução do retrato da família - sombrio, complexo, enigmático - acabará por descobrir um episódio sinistro do seu país nos anos de trevas da Grande Guerra, a catástrofe que deixou a Europa em escombros e tocou milhares de vidas no outro lado do Atlântico.
Os informadores é uma apaixonante história de traições privadas e públicas. Comparado a obras como A mancha humana de Philip Roth ou Austerlitz de W.G. Sebald, o primeiro romance do premiado autor colombiano Juan Gabriel Vásquez é um terreno onde o autor explora com inteligência e sensibilidade os temas que lhe são caros: a memória e a história, o amor e a culpa.
Os elogios da crítica:
«Um romance esplêndido.»
Javier Cercas
«Desde o primeiro parágrafo deste romance que me senti sob o feitiço de um escritor magistral. Juan Gabriel Vásquez tem muitas qualidades - inteligência, engenho, energia, uma veia de sentimentos profundos -, mas usa-os com tal naturalidade que rapidamente o leitor deixa de se surpreender com os seus talentos e é então que a bela e singular feitiçaria da narrativa assume o comando.»
Nicole Krauss
«O que Vásquez nos oferece, com grande talento narrativo, é aquela região cinzenta da acção e da consciência humanas, em que a nossa capacidade para cometer erros, trair e esconder cria uma reacção em cadeia que nos condena a todos a um mundo sem contentamento.»
Carlos Fuentes
«Este é um romance sobre muitas coisas, todas elas interessantes e exploradas por Vásquez com aguçado sentido moral, mas no seu centro está um dos grandes temas literários: a traição. É o melhor livro de ficção que me caiu nas mãos este ano e ainda por cima é um livro que agarra, com reviravoltas que causam grande satisfação.»
Jonathan Yardley, The Washington Post
«A carreira de Juan Gabriel Vásquez arrancou de forma notável com Os informadores, um ambicioso primeiro romance.»
Larry Rohter, The New York Times
«Uma história extraordinária, que disseca das consequências que um único acto pode ter, não só na vida da pessoa que o comete, mas na vida de muitos outros por arrasto, entrando no campo de Expiação, o romance de Ian McEwan.»
The Guardian
«É como se John Le Carré tivesse entrado nos labirintos narrativos de Jorge Luis Borges.»
Boyd Tonkin, The Independent
«Vásquez cria uma estrutura romanesca perfeita, em contínuo movimento narrativo. Um romance escrito com a força e a convicção dos narradores de grande talento.»
J. A. Masoliver Ródenas, La Vanguardia
«Os informadores é completamente diferente de qualquer coisa escrita pelos autores contemporâneos latino-americanos. Se se sente alguma influência neste romance inquietante é a do escritor alemão W. G. Sebald. Ambos os escritores são atraídos pela culpa e pela doença como alavancas da escrita.»
Ángel Gurría-Quintana, Financial Times
«Para alguém que tenha lido todos os livros de García Márquez e procure um novo escritor colombiano, então Os informadores, de Juan Gabriel Vásquez, será uma descoberta deliciosa.»
Colm Toibin
«Os informadores é um bom romance político sem ter uma vírgula de panfletário. Como toda a boa literatura, parte de um dado real - uma conversa de Juan Gabriel Vásquez com uma mulher judia que se refugiou na Colômbia para escapar do nazismo e, em seu país de asilo, passou a ser perseguida por ser alemã- e alça voo na narrativa de ficção para, ao inventar, ou seja, ao mentir, contar a verdade.»
Eric Nepomuceno, Estadão
«Este romance dilacerante, impiedoso e original leva-nos ás profundezas dos segredos de uma família colombiano, revelando não apenas a tormenta individual de um homem mas a de uma cultura inteira. Os informadores é um romance deveras engenhoso, com ecos de Conrad na intens
A história entrelaça-se nesta dualidade entre resistência e
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Associar o nazismo à Colômbia é algo que não me tinha passado nunca pela cabeça. Quanto mais não seja, este livro abre-nos um mundo novo, o de gerações de alemães que fugiram do nazismo para os países latino-americanos ou que eram apoiantes de Hitler e por lá espalharam a sua terrível influência.
A história entrelaça-se nesta dualidade entre resistência e reação, entre fuga e comodismo, retratando pessoas que, por muitos anos que tivessem vivido na Colômbia, se sentiram sempre imigrantes.
Não sabia que tinha havido ?listas negras? promovidas pelos Estados Unidos e onde constavam todos os cidadãos alemães, italianos ou japoneses a viver na maioria dos países das Américas. Por se vestir negro num funeral (a cor associada ao fascismo) ou por se vender fruta a um alemão, era-se motivo para constar dessas listas, que compreendiam muitas vezes a prisão (fosse em hotéis ou em campos de concentração).
Passa a ideia de que os grandes criminosos eram misturados com pessoas muitas vezes críticas do nazismo mas