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O HOMEM MAIS FELIZ DO MUNDO

Eddie Jaku  

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Excerto

Nasci em 1920, numa cidade chamada Leipzig, na Alemanha de Leste. O meu nome é Abraham Salomon Jakubowicz, mas os amigos tratavam-me por um diminutivo, Adi. Em inglês, pronuncia-se «Eddie». Por isso, caro amigo, chame-me Eddie.

Éramos uma família afectuosa, uma família grande. O meu pai, Isidore, tinha quatro irmãos e três irmãs, e a minha mãe, Lina, pertencia a uma prole de treze crianças. Imagine-se o vigor da minha avó, para criar tantos filhos! Perdeu um filho na Primeira Guerra Mundial, um judeu que sacrificou a vida pela Alemanha, bem como o marido dela, o meu avô, um capelão do exército que nunca regressou da guerra.

O meu pai era cidadão alemão e orgulhava-se muito disso: um imigrante da Polónia que se estabeleceu na Alemanha. Quando deixou a Polónia, era aprendiz de engenharia mecânica na Remington, uma empresa que fabricava máquinas de escrever. Como falava bem alemão, foi para os Estados Unidos trabalhar num navio mercante germânico.

Destacou-se no seu ramo de actividade naquele país, mas perdeu a família e decidiu regressar à Europa, de visita, noutro navio mercante germânico. Chegou mesmo a tempo de ser apanhado pela Primeira Guerra Mundial. Como viajava com passaporte polaco, foi retido pelos alemães, que o consideraram um estrangeiro ilegal. No entanto, o governo alemão reconheceu que se tratava de um mecânico qualificado e libertou-o para que ele pudesse trabalhar em Leipzig, numa fábrica de armas pesadas destinadas ao esforço de guerra. Foi nessa altura que ele se apaixonou pela minha mãe, Lina, e pela Alemanha, acabando por ficar no país após a guerra. Abriu uma fábrica em Leipzig, casou com a minha mãe, e logo a seguir nasci eu. Volvidos dois anos, veio a este mundo a minha irmãzinha Johanna, que tratávamos pelo diminutivo Henni.

Nada seria capaz de abalar o patriotismo e o orgulho do meu pai pela Alemanha. Considerávamo-nos alemães em primeiro lugar, alemães em segundo lugar e, a seguir, judeus. A nossa religião não nos parecia tão importante como sermos bons cidadãos da nossa Leipzig. Praticávamos as nossas tradições e cumpríamos os feriados religiosos, mas a nossa lealdade e o nosso amor eram pela Alemanha. Eu orgulhava-me de ter nascido em Leipzig, com os seus oitocentos anos de história, um centro de arte e cultura, que contava com uma das mais antigas orquestras sinfónicas do mundo. Uma cidade que inspirara Johann Sebastian Bach, Clara Schumann, Felix Mendelssohn, escritores, poetas e filósofos — Goethe, Leibniz, Nietzsche e muitos outros.

Durante séculos, os judeus fizeram parte do próprio tecido social de Leipzig. Desde os tempos medievais, o grande dia do mercado era à sexta-feira, em vez de ao sábado, para permitir que os comerciantes judeus participassem, dado que nos é proibido trabalhar ao sábado, dia de descanso dos judeus. Houve cidadãos judeus eminentes e filantropos que contribuíram para o bem público, tal como para a comunidade judaica, supervisionando a construção de algumas das mais belas sinagogas da Europa. A harmonia

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