Loading...

O ABC DA VIDA

Helena Sacadura Cabral  

0


Excerto

DIVÓRCIO

A palavra «divórcio», que deriva do latim divortĭum, entende-se como a acção e o efeito de dissolver um matrimónio por vias legais, separar ou afastar pessoas ou coisas que estavam juntas.

A maior parte dos países ocidentais considera como matrimónio a união de duas pessoas reconhecida jurídica, social e culturalmente. O seu objectivo é a protecção dos implicados e da sua descendência, que, através dele, contraem direitos e obrigações.

Os divorciados foram, entre nós, durante bastante tempo, condenados a nível social, já que o conceito de casamento para toda a vida tinha muita força. No entanto, nas últimas décadas, essa concepção mudou e, agora, aceita-se o divórcio como uma solução natural para as relações que não funcionam.

Com a alteração do regime jurídico do divórcio em 2008, deixou mesmo de ser preciso «provar culpa» ou esperar meses até dissolver a união. As responsabilidades parentais passaram a ser reguladas com os dois progenitores presentes nas decisões e actividades dos filhos. E as uniões de facto já não carecem de presença perante o tribunal para regular responsabilidades parentais, desde que haja acordo.

Nesta matéria, há ainda a considerar os aspectos religiosos da questão, já que cada credo tem a sua própria maneira de encarar o divórcio.

As consequências de uma vida conjugal desfeita atingem emocionalmente não apenas o casal mas também aqueles que o cercam, o que significa que os filhos também não saem ilesos. Todos sabemos que existem consequências para as crianças e que elas dependem muito da forma como os pais se separarem, da idade que tiverem e do seu grau de desenvolvimento.

São poucas as crianças que demonstram sentir alívio com a decisão parental, e o mais frequente é a criança reagir com raiva franca a um ou a ambos os progenitores, quando a separação se dá entre os 8 e os 10 anos. Nalguns casos, chegam mesmo a demonstrar ansiedade e solidão, bem como sentimentos de humilhação, pela sua impotência face ao ocorrido. Já nos adolescentes, é mais usual reagirem com depressão, raiva intensa ou até com comportamentos rebeldes e desorganizados.

Face a tudo isto, podemos questionar se aquilo que leva duas pessoas a comprometerem-se num caminho comum, unidas sem garantias de que o compromisso funcione, ou seja, para a vida, não comportará uma boa dose

Seja o primeiro a receber histórias como esta