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INFLUENCIA!

Maria Gonçalves  

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Excerto

Apesar de o sucesso ser um conceito subjetivo, está na lista de objetivos da maioria das pessoas. Queremos todos ser bem-sucedidos, no que quer que façamos. E nisto de ser influenciador digital não é exceção.

Mas, apesar de sabermos isso, é comum que a criação de um canal de YouTube ou de um blogue seja movida por fatores emocionais e não tanto racionais, o que pode dificultar o processo.

Criar um projeto de sucesso, para o contexto deste livro, significa criar um projeto em que conquistas o lugar de influenciador digital e, em última análise, isso torna-se na tua profissão a tempo inteiro. Dá algum trabalho, claro que sim, mas é completamente possível e não é necessário contratar toda uma equipa de profissionais.

Neste capítulo, vou abordar os primeiros fatores que têm influência no sucesso do teu projeto, e que começa ainda antes de ele estar no mercado.

NICHO

Um nicho de mercado é um segmento de público muito específico. Um grupo mais pequeno de pessoas com determi­nadas características ou preferências.

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Se, em tempos, qualquer blogue era um bom blogue — porque havia tão pouca oferta — hoje as coisas já não funcionam assim. Não basta criar, não basta existir no universo digital. É preciso muito mais do que isso para conseguir fazer crescer uma audiência e criar uma comunidade coesa que consigas influenciar.

E aqui surge o primeiro desafio!

Todos queremos criar um projeto onde falamos daquilo que gostamos. O problema é que normalmente não gostamos apenas de uma coisa, e sem balizas acabamos a falar de tudo um pouco. Daí a proliferação de projetos denominados de lifestyle.

Mas se queres realmente ter um projeto de sucesso, tens de atuar num nicho. Tens de escolher um segmento de mercado, preferencialmente um que ainda esteja pouco explorado, e abordar um tema que esse segmento anseie por consumir. Isto não tem de ser incompatível com falares daquilo que gostas, mas falar sobre tudo um pouco não é um bom caminho para te diferenciares da concorrência e ganhares um lugar. Corres o risco de ser apenas mais um, sem causar impacto e, portanto, longe de atingir o sucesso.

Lembra-te que quando te posicionas como autoridade em relação a um determinado tema, quando a tua comunidade reconhece essa autoridade, tens muito mais hipóteses de os influenciar porque sentem que têm algo a aprender contigo — e quanto mais aprendem, quanto mais útil te tornas, mais vontade terão de regressar.

PÚBLICO-ALVO

Pode parecer que se mistura com o nicho, mas há mais para dizer sobre este que considero o fator mais relevante para o sucesso enquanto influenciador digital.

Cada pessoa é diferente, mas é claramente possível criar grupos que se comportam de forma semelhante. Esses grupos podem ter diversas variáveis como base: podemos agrupar pessoas por sexo, por idade, por estilo de vida, por orçamento, por características de personalidade, por gostos pessoais… e por aí fora.

Apesar das ferramentas digitais nos permitirem personalizar cada vez mais a nossa comunicação, é difícil criar um projeto que agrade a todos. E quanto mais ambicionares isso, mais improvável será o teu sucesso.

Então torna-se claro que existirá um grupo específico de pessoas com maior probabilidade de se conectar à tua men­sagem. Isso não significa que não podes ou não irás ter outro tipo de seguidores, significa apenas que a maioria dos teus seguidores vai ter determinadas características semelhantes. E são essas características que tens de descobrir o quanto antes, porque ajudarão a moldar a tua mensagem e o teu posicionamento.

Este é um trabalho que tanto pode ser feito a priori — quando ainda estás na fase de planeamento do projeto — como a posteriori — porque nunca é tarde para mudares a tua estratégia de comunicação e perceberes exatamente para quem deves comunicar. Mas, naturalmente, quanto mais cedo o fizeres, melhor. Se o teu projeto iniciar logo com um público-alvo muito bem definido começas com o pé direito e com uma grande vantagem em relação à maioria da tua concorrência.

Depois de tanto tempo em contacto com o universo de influenciadores digitais em Portugal, é incrível a quantidade de pessoas que continua a ignorar o seu público-alvo. É comum, nos meus cursos, ouvir os cérebros a trabalhar quando toco neste assunto e ver uma expressão de entendimento a formar-se nos rostos.

Assim que falo nisto faz todo o sentido de imediato, afinal é fácil de perceber que se soubermos exatamente para quem estamos a comunicar conseguimos mais facilmente metermo-nos no lugar dessas pessoas e antecipar o que vai ou não funcionar, o que querem e o que não querem ver, o que vão gostar, comentar e partilhar e o que simplesmente lhes vai passar ao lado.

Se te pedisse para comprares uma prenda para uma mulher adulta que tivesses a certeza que ela iria adorar poderias pensar em várias opções, das coisas mais simples às mais excêntricas, mas o leque de alternativas seria tão extenso que seria difícil garantir que irias acertar. Mas se te pedisse para comprares uma prenda para a tua mãe, a tua irmã mais velha ou a tua avó, provavelmente estarias muito mais certo quanto às tuas escolhas. Porquê? Porque a informação que tens sobre essas pessoas é muito mais profunda do que «uma mulher adulta».

É próximo desse nível de profundidade que deves tentar chegar com o teu público-alvo. Deves fazer de tudo para saber o máximo sobre essas pessoas, aquelas que consideras que se vão sentir mais impactadas com os temas que abordas e a forma como o fazes.

Quem são elas?

Saberes a resposta a esta pergunta, com o máximo de detalhe, irá influenciar todos os restantes passos daqui para a frente. O nome que escolhes para o teu projeto deve ser algo com que o teu público-alvo se identifique, a forma como tratas a comunidade, a linguagem que utilizas, até mesmo a língua em que escreves, estão dependentes de quem está do outro lado. Das redes sociais onde escolhes estar a algo tão simples como as cores que apresentas, tudo sem exceção deverá ser planeado para atrair e agradar o teu público-alvo.

Não foi por acaso que disse que considero este o fator mais relevante para o sucesso de um influenciador digitial. Esta é a tua melhor arma, usa-a com inteligência!

NOME

Se estás a planear um projeto do zero, vale a pena seguires o processo por esta ordem: primeiro escolhe um nicho e pensa num tema central; depois aprofunda o teu conhecimento sobre o público-alvo que irá sentir-se atraído por esse tipo de conteúdo e só em seguida pensa num nome, logótipo, cores, redes sociais e afins.

Mas se já tens um projeto atualmente, é provável que estejas a pensar que escolheste um nome totalmente ao lado e a perguntar-te o que deves fazer agora.

O nome do teu projeto é um dos primeiros elementos com que os teus seguidores têm contacto, talvez por isso — juntamente com o desejo de se tornarem conhecidos —, muitos influenciadores começam a optar por usar os seus nomes próprios, facilita o processo, sem dúvida, garantidamente quem te seguir vai saber desde logo identificar-te. Usares o teu nome dar-te-á uma — falsa — sensação de que és importante, e, portanto, que estás um passo mais perto do sucesso que queres atingir. O problema disto é que o teu nome próprio não diz nada sobre o teu projeto, sobre o teu conteúdo, perdendo-se assim uma oportunidade para atrair o público-alvo. Os nomes próprios têm impacto quando as pessoas já são, de alguma forma, conhecidas. Enquanto és um anónimo, não tem impacto nenhum.

Sendo um dos primeiros elementos que contacta com o teu potencial público deve ter o poder de os atrair para ti, deve despertar curiosidade ou identificação, deve transmitir — em conjunto com o logótipo — os valores e o posicionamento do teu projeto.

Se já tens tudo em andamento e começas a achar que o teu nome atual não faz sentido, não tenhas medo de mudar. Um rebranding é uma excelente oportunidade para começares de novo com mais força e mais sabedoria. As emoções devem ficar de lado, o que está aqui em causa é o teu negócio, o teu sucesso, e só de maneira muito fria e racional poderás tomar as melhores decisões.

Não tenhas pressa. É natural que este processo demore algum tempo. Vão surgir-te nomes que achas geniais mas que já estão a ser utilizados, e pode surgir um nome pelo qual não davas nada mas que se vai entranhando aos poucos e fazendo mais sentido de dia para dia. Tens de dar tempo aos nomes para que possam ganhar o seu lugar. Deixa as ideias amadurecerem até escolheres um nome definitivo e, se precisares mesmo, pede a pessoas da tua confiança que te ajudem neste processo.

POSICIONAMENTO

A maioria das pessoas ainda olha para os blogues e os canais de YouTube como uma brincadeira. Mesmo quem começa, raramente assume a sua clara intenção de criar um posto de trabalho. Uma vez, ao discutir este tema, disseram-me uma coisa que me deixou a pensar: as pessoas afirmam que criaram os seus pro­jetos apenas como hobby porque têm medo de falhar. Assumir que aquilo é um negócio implica que, se o projeto não crescer e não se tornar rentável, têm também de assumir que não foram capazes de atingir os seus objetivos. Encarando como um hobby que «se um dia der dinheiro, tanto melhor» não existe este conceito de falhar, afinal de contas não é possível falhar em algo que praticamos como hobby.

O problema é que isto é um erro tremendo!

Acredito seriamente que a maneira como as pessoas nos encaram, ou encaram os nossos projetos, se baseia na forma como nos posicionamos. Isto é, se encaras o teu canal de YouTube como um hobby e é isso que comunicas a quem te rodeia, será sempre dessa forma que olharão para ele. Então, é muito mais difícil começares a ganhar dinheiro porque os próprios possíveis patrocinadores vão sentir-se reticentes em apostar em alguém que vê o seu projeto como um hobby.

Da mesma forma que, se encarares o canal como um negócio desde o primeiro dia, vais acabar por tomar decisões de forma muito mais profissional, vais encarar tudo com muito mais seriedade, vais ...