Loading...

DIAS FELIZES, NOITES TRANQUILAS

Constança Cordeiro Ferreira  

0


Excerto

INTRODUÇÃO

O seu bebé chora quando entra num quarto escuro para dormir, mesmo que esteja cheio de sono?

O seu bebé não relaxa após o banho, como alguém lhe disse que devia acontecer?

Até conseguiu, com muito esforço, que o seu bebé adormecesse sozinho e, ainda assim, ele está a acordar de hora a hora?

Ainda agora começou a ler-me e, portanto, não espero já que acredite em mim.

Mas… E se eu lhe disser que o seu bebé está certo, se a sua resposta foi afirmativa às questões anteriores?

E, mais ainda, o que pensaria se eu lhe garantisse que pode abandonar as lutas com o seu bebé para que ele «adormeça sozinho» porque isso provavelmente não vai ser preciso para nada, no que toca a dormir bem?

Arrisco ir mais longe e dizer-lhe já, logo nestas primeiras linhas: muito provavelmente o seu bebé está a precisar de si no momento de adormecer, não porque seja pouco autónomo, mas sim porque o seu cérebro está tão cheio de informação nova e maravilhosa que precisa da sua ajuda para conseguir organizá-la e poder dormir bem a seguir.

Comecemos pelo início:

Este é um livro para mães e pais cansados.

E é um livro para bebés que poderiam estar a dormir melhor.

Um dia escrevi isto: Ninguém, em idade nenhuma, merece adormecer a chorar.

Foi há muitos anos e continuo a acreditar nisso com toda a minha convicção.

Sei que estarei a ser lida por pais e mães que têm bebés que, neste momento, choram para dormir. E por pais e mães que têm eles próprios vontade de chorar, tal é o cansaço e a privação de sono por que estão a passar.

Gosto de fazer pactos com os meus leitores, no início de cada livro.

Neste, que agora inauguramos, será assim o nosso:

Nada do que retirar deste livro deve servir para criar conflito entre si e o seu bebé.

Talvez já tenha lido tantos livros sobre o assunto que esteja cansado do tema. E que já tenha experimentado tantas coisas que simplesmente parece que nada funciona.

Este livro vem em paz, vem para ajudar a trazer mais e melhor sono.

De muitas formas, mas principalmente daquela que é a mais infalível de todas: procurando aumentar o entendimento entre si e o seu bebé.

Na hora de dormir, mas principalmente em todas as outras horas.

Ao longo das páginas deste livro, sei que vai ficar surpreendido com tantas das coisas que lhe vou propor. Sei que muitas são completamente ao contrário do que habitualmente é defendido como sendo «bons hábitos» para o sono dos bebés.

Faremos uma viagem juntos em que procurarei mostrar-lhe porque me faz sentido abordar o sono de forma diferente do habitual. E de forma prática, iremos também aos pontos que causam mais aflição neste momento. Uma sesta que ainda não está estabilizada, uma entrada na noite difícil, ou um bebé que acorda de hora a hora. Procurarei dar-lhe resposta a todas essas questões e pode sempre usar o índice para ir directo ao assunto que o preocupa.

Quase cinco mil bebés… E mais um: o seu.

No momento em que escrevo estas páginas, e de acordo com a última contagem informal que fiz por alto, já terei trabalhado com mais de 4800 bebés.

Durante os anos iniciais do meu trabalho com bebés, as mães e pais chamavam-me para os ajudar a decifrar o choro dos seus filhos. Nunca me ocorreu que passado algum tempo estaria a trabalhar tão activamente nas questões do sono. Mas a verdade é que acabou por acontecer quando começaram a chegar-me pais que pediam especificamente que os ajudasse porque os seus bebés não estavam a dormir bem.

Na altura, estavam a tornar-se populares em Portugal os métodos de treino de sono, que prometiam aos pais colocar o seu bebé a dormir 12 horas seguidas em x dias.

Por todos os anos que eu já vinha trabalhando com bebés que choravam muito, e sabendo que estes métodos se baseavam em pouco mais do que em estratégias de extinção do pedido do bebé, com muito choro envolvido, isto era tudo o que eu não queria fazer e no qual não acreditava.

Essas abordagens pareciam-me (e hoje parecem ainda mais!) muito pobres e redutoras. Limitam o sono a uma perspectiva meramente comportamental e instrumentalizada, em que o sucesso parece depender meramente do facto de o bebé adormecer sozinho, sem ajuda. O choro é, nessa perspectiva, um dano colateral aceitável, defendido como uma via para obter a autonomia.

Na mesma linha, tudo o que os pais fazem instintivamente como acalmar, consolar, embalar, amamentar, é assim altamente desincentivado e reduzido a uma espécie de comportamentos impulsivos e imaturos que prejudicam seriamente o sono do bebé.

Assim se treinam bebés, começando por treinar os seus pais a ignorar aquilo que lhes seria natural e biológico.

Para mim, tudo apontava, no entanto, que a solução não passava por aqui. Assim, embora durante muito tempo eu não aceitasse trabalhar isoladamente o tema do sono com os bebés, começava a ficar gradualmente mais claro que a chave para o sono (tal como no choro) poderia estar exactamente nas mesmas ferramentas que eu já vinha usando:

• Investigação dos motivos do bebé.

• Redução dos níveis de stress colectivos na família.

• Potenciação dos mecanismos fisiológicos.

Seja o primeiro a receber histórias como esta